segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Rubem Alves: Um contador de belas histórias

Rubem Alves
Rubem Alves, em seu livro: O POETA, O GUERREIRO, O PROFETA
(Ed. Vozes,1995. P. 10 ) diz:

“Uma aranha fez sua teia num canto do meu escritório. Eu a descobri ontem e, com a minha vassoura, tratei de me livrar dela. Teias de aranha são sinais de descaso e eu não queria que aqueles que me visitam pensassem mal de mim. Mas hoje ela está no mesmo lugar. Durante a noite refez sua teia. Acho que ela gostou do lugar, me perdoou e confia na minha compreensão. Compreende. E decidi que ela vai ser minha companheira.
Embora ela não saiba falar, ela me fez pensar. Confesso que a aranha me fascinou. Primeiro por aquilo que vejo. Lá está ela, segura e feliz, pendurada sobre o vazio. Não existe hesitação alguma nos seu passos. Suas longas pernas se movem sobre os finos fios de sua teia com tranqüila precisão, como se fossem dedos de um violinista, dançando sobre as cordas. Sua teia é coisa frágil, feita com fios quase invisíveis. E, no entanto, é perfeita, simétrica, bela, perfeitamente adequada ao seu propósito. Mas o fascínio tem a ver com aquilo que não vejo e só posso imaginar. Imagino aquela criaturinha quase invisível suas patas coladas à parede. Ela vê as outras paredes, tão distantes, e mede os espaços vazios. E só pode contar com uma coisa para o trabalho incrível que está para ser iniciado: um fio, ainda escondido dentro de seu corpo. E, então repentinamente, um salto sobre o abismo, e um universo começa a ser criado...
Em outros tempos acho que fui um bom professor. Como a aranha eu sabia tecer a minha teia de palavras. Eu sabia o que ensinava e só ensinava o que sabia... Bons professores, como a aranha, sabem que lições, estas teias de palavras, não podem ser tecidas no vazio. Elas precisam de fundamentos. Os fios, por finos e leves que sejam, têm de estar amarrados a coisas sólidas: árvores, paredes, caibros. Se as amarras são cortadas a teia é soprada pelo vento, e a aranha perde a casa...”Professores sabem que isto vale também para a educação...
Postado por Jacki

http://jackipedagoga.blogspot.com/2009/01/rubem-alves.htm

Pensando a avaliação

O Luizinho da segunda fila


Marcelo é um excelente professor de Geografia.

Na aula sobre o Pantanal até excedeu-se. Falou com entusiasmo, relatou com detalhes, descreveu com precisão. Preencheu a lousa com critério, soube fazer com que os alunos descobrissem na interpretação do texto do livro a magia dessa região quase selvagem. Exibiu um vídeo, congelou cenas e enriqueceu-as com detalhes, com fatos experimentados, acontecimentos do dia-a-dia de cada um.

Em sua prova, é evidente, não deu outra: uma redação sobre o tema e questões operatórias que envolviam o Pantanal. Seus rios, suas aves, sua vegetação... a planície imensa. Os alunos acharam fácil. Apanharam suas folhas e começaram a trazer, palavra por palavra, suas imagens para o papel. As canetas corriam soltas e as linhas transformavam-se em parágrafos. Marcelo sabia o quanto teria que corrigir, mas vibrava... Sentia que os alunos aprendiam. Descobriam o interesse que sua ciência despertava. Não pôde conter uma emoção diferente quando Heleninha, sua aluna predileta, foi até sua mesa e arfante solicitou:

- Posso pegar mais uma folha em branco?

O único ponto de discórdia, o único sentimento opaco que aborrecia Marcelo, era o Luizinho, aquele da segunda fila. – Puxa vida! – pensava – Luizinho assistira às suas aulas, arregalara
os olhos com as explicações e agora, na prova, silêncio absoluto, imobilidade total...
nem sequer uma linha. Sentiu ímpetos de esganar Luizinho. Mas, tudo bem, não queria
se irritar. Luizinho pagaria seu preço, iria certamente para a recuperação. Se duvidasse
poderia, até mesmo, levá-lo à retenção. Seria até possível arrancar um ano inteirinho de
sua vida...
Minutos depois, avisou que o tempo estava terminado. Que entregassem sua folha. Viu então que, rapidamente, Luizinho desenhou, na primeira página das folhas de prova, o Pantanal. Rico, minucioso, preciso. Marcelo emocionou-se, ao ver aquele quadro, de irretocável perfeição, nas mãos de Luizinho que coloria as últimas sobras. Entusiasmado indagou:

- E aí, Luís? Você já esteve no Pantanal?

Não. Luizinho jamais saíra de sua cidade. Construiu sua imagem a partir das aulas ouvidas. Marcelo sentiu-se um gigante e, de repente, descobriu-se o próprio Piaget. Havia com suas palavras construído uma imagem completa, correta e absoluta na mente de seu aluno.



Mas, deu zero pela redação. É claro. Naquela escola não era permitido que se rabiscassem as folhas de prova. A história de Luizinho repete-se em muitas escolas. Sua inteligência pictórica é imensa, colossal, lúcida, clara e contrasta visivelmente com as limitações de sua competência verbal. Expressou o que sabia, da maneira como conseguia.

Mas, não são todos os professores que se encontram treinados para ouvir linguagens diferentes das que a escola instituiu como única e universal.


Texto de Celso Antunes

Recomeço !

Estou redescobrindo o foco para este espaço, e conto com a sua ajuda.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011




Em busca da leitura

Ainda não sou o leitor que sonho me transformar um dia.Mas leio textos diversos, trechos de jornais, anúncios de revistas, diário de novelas e, não
poderia esquecer, as crônicas esportivas.
O que me falta, então?
Lemos para nos informar, para nos divertir, para aumentar a fé, para comprar, para vender, etc.
Quero ler por prazer.Essencialmente por prazer.
Quero viajar na imaginação. Sonhar de olhos bem abertos, me transportar por caminhos mil.Visitar lugares, me aventurar no desconhecido, amar e ser amado, na pele do amante apaixonado ou da mocinha sonhadora. Ser eu em muitos e muitos em mim.
O que me falta?
Primeiro um namoro sério com os livros.Escolha de um genero, definição de horarios para os encontros, sem me preocupar com excesso de tempo.Talvez um encontro ao dia.
Ficaremos intimos e cada vez mais apegados, eu e o livro. E, quando nos dermos conta não nos desgrudaremos, seremos um so.
Simples assim.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Diante da leitura “ Língua escrita: uso e forma: - Prática de leitura”. Resumi em poucas palavras, e observando a importância da leitura no nosso dia-dia.

Para o uso da escrita é sugerido uma prática natural da leitura, onde saberemos o que escrever e como escrever.

Para isso ter um universo de informações é de grande valia, onde varias formas textuais influencia no nosso desejo de aprendizagem. Expor esse universo é importante, não é só colocar lá e esquecer que existe. Fundamentalmente, nós educadores sabemos seu grande valor e temos o dever de aplica los como doses homeopáticas até se tornar um vício na corrente sanguínea.

Dizem que é fácil escrever, realmente, é! Mais o que escrever? Só a prática a leitura pode nos ajudar, a decifrar essa incógnita.

E escrever é mais fácil?

Talvez!

Posso usar meu vasto e limitado verbete para escrever um determinado assunto, mas um ponto ou até mesmo uma vírgula pode dar uma imagem equivocada do meu verdadeiro interesse ao leitor.

É, observei que em poucas linhas não sei o que escrever e como escrever; vou fazer uma coisa que sei que a maioria de nós não fazemos.

Ler !!


Gostaria de contar com a sua colaboração no que diz respeito a colocação verbal das palavras ou a gramática propriamente dita. Qualquer erro é passível de acerto então me permita com suas colocações fazer o acerto.